Pressão afeta saúde de bancários, aponta estudo feito na UNICAMP

Pressão afeta saúde de bancários, aponta estudo feito na UNICAMP
sexta-feira, 09/02/2018 - FONTE: Turcato Advocacia

O aumento da hostilidade nas condições de trabalho tem provocado piora na saúde física e mental dos bancos do país. A revelação faz parte da pesquisa de mestrado da Unicamp concluiu em fevereiro último pela economia e ex bancária Taíse Cristina Gehm. Não há estudos, estudos sobre os anos de 1990 e 2000, contribuições para o aprofundamento da pressão nas relações de trabalho entre os profissionais.

 

"Essa pressão no trabalho, resultado de cobranças sobre vendas e metas, tem se tornado uma fonte de adoecimento dos bancos. Como principais doenças estão relacionadas às LERs / Dorts [Lesões por Esforço Repetitivo / Distúrbio Osteomuscular Relacionado ao Trabalho] e doenças psíquicas ", aponta a pesquisadora, que trabalhou no extinto banco Nossa Caixa entre 2006 e 2007.

 

As causas predominantes do estresse no trabalho dos profissionais estão relacionadas com as ideias das instituições, iniciadas a partir da década de 1990. Taíse Gehm cita o aprofundamento do processo de automação; uma externalização das atividades, como uma terceirização e introdução dos chamados correspondentes bancários; eo estabelecimento de metas sobre vendas.

 

"O fim da inflação, a partir da década de 1990, provocando a estrutura dos bancos. Com uma estabilização da moeda, como as empresas buscaram outras formas de rendimentos, adotando novas estratégias, que alteram uma natureza para o que é ser bancário. A busca pela lucratividade e redução de custos com resultado em condições básicas de trabalho, como maior pressão sobre os bancos e um ambiente de insegurança ", contextualiza a economista graduada pela Unicamp.

 

A Pesquisa de Taíse Gehm foi conduzida ao lado do Programa de Pós-Graduação do Instituto de Economia (IE), sob orientação do docente José Dari Kerin. Ela realizou entrevistas qualitativas com bancários tendo como referência o Banco do Brasil (BB) eo processo de incorporação do Banco Nossa Caixa em 2009. O estudo foi financiado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

 

Conforme a estudiosa, foram entrevistados trabalhadores do BB, dentre eles, bancários issus da Nossa Caixa. Ela informa que uma pesquisa também é apoiada em levantamento do perfil das empresas dos bancos públicos, realizada a partir da Relação Anual de Informações Sociais e dos Relatórios Anuais do Banco do Brasil.

 

"Uma finalidade do estudo de campo para a percepção dos bancos sobre as experiências, e também o impacto sobre a sua vida, com destaque para a saúde física e mental. O objetivo das entrevistas foi também identificado o sentimento dos bancários frente a essa incorporação ", justifica.

 

Na dissertação, são citados dados do Relatório Anual do Banco do Brasil, que demostram aumento de 42% nas taxas de lesões entre 2008 e 2011. Ao mesmo tempo, um taxa de dias perdidos apresentou pouca variação. Isso acontece, segundo uma pesquisadora, porque os bancos passaram a ser criticados por não faltarem e não se afastarem.

 

"Há forte cobrança de toda uma equipe para a produção de mantida. A política adotada no BB faz com que a falta de um funcionário prejudique uma equipe inteira. E, em um funcionário profissional, é um banco que não é um funcionário para um funcionário doente ", critica.

 

Mudança no perfil

Com as transformações no sistema das instituições financeiras, os bancos passaram de intermediários de transações para vendedores de produtos e serviços, afirmam um economista da Unicamp. De acordo com ela, sem mudança de perfil dos trabalhadores tem implicado em cobranças diárias sobre o cumprimento de metas relacionadas a vendas de produtos e serviços.

 

"Um grande elemento das metas são como vendas, não é um peso maior que nos pontos da agência. Só que como vendas são importantes para o reconhecimento do funcionário, pois ele acaba de ter um melhor relacionamento. Como entrevistas fortesmente indicaram que como vendas são um componente para um progresão do funcionário no Banco do Brasil ", detalha.

 

"Atualmente, os bancos estão sendo chamados de 'bancários vendedores'. São exigidos e cobrados uma oferta e vender produtos, muitas vezes, consideram dispensáveis ??aos clientes. A principal questão é uma venda, mas eles têm um conhecimento dos trabalhos burocráticos e administrativos. Muitos profissionais se sentem frustrados ", completa Taíse Gehm.

 

A economista lembra que o fim dos ganhos com uma inflação eo crescimento da renda da população impulsionaram os bancos a buscar outras estratégias para elevar suas receitas. Entre eles, destacam-se a cobrança de tarifas e venda de produtos e serviços, como seguros, consórcios, cartão de crédito, crédito, financiamentos e previdência privada.

 

Outro elemento que gera hostilidade nas relações de trabalho e sistema de Participação nos Lucros e Resultados (PLR). Isso porque um PLR possui dois componentes: uma remuneração fixa e outra variável, relacionado diretamente com o cumprimento de metas.

"A PLR é definida por agência e não por funcionário. É uma agência bate um meta, vai ter uma PLR maior. Caso contrário, vai receber uma PLR menor. E o funcionário tem que se engajar para conseguir uma pontuação. Isso é uma faca de dois gumes, porque ao mesmo tempo em que é coletivo, causa cobranças de colega a colega ", expõe.

 

Automação

O uso crescente da tecnologia gerou aumento de produtividade e consequências negativas ao trabalho dos bancos. A pesquisadora da Unicamp considera o avanço tecnológico e a racionalização dos produtores associados ao movimento intenso de reestruturação bancária.

 

Ela exemplifica citando o sistema de comunicação eletrônica de dados, que substitui o atendimento tradicional nas agências bancárias. O objetivo, esclarece a investigadora, foi sedimentar uma estrutura administrativa mais enxuta, resultando em desemprego e pressões nas condições de trabalho.

 

"A automação reduzida ao tempo morto do trabalho, tornando a atividade mais intensa. A finalidade é o aumento da produtividade. Um bancário disse, por exemplo, que se sente, não é um grande irmão porque controla seu controle. Ele faz isso online, pelo sistema do computador ", relata.

 

Terceirização e correspondentes

Na busca por redução de custos, como instituições financeiras promovidas por uma série de terceirizações. Houve também uma possibilidade de realização de atividades para as agências, com os serviços dos correspondentes bancários, exercícios por lotéricas, correios e comércio.

 

"Essas medidas situam-se na lógica de busca por maiores lucros e aumento da competitividade. Como atividades terceirizadas não Banco do Brasil destacam-se a retaguarda e compensação, segurança, limpeza, digitação e setor jurídico. Alguns bancos também terceirizam atividades de telemarketing ", exemplifica uma ex-bancária.

 

Taíse Gehm observa que os entrevistados são contra uma terceirização de atividades típicas do banco. Muitos concordam, no entanto, a terceirização de segmentos como limpeza, telefonia e segurança e benéfica para o banco. Isso pode refletir uma questão de identidade dos próprios bancários, analisa.

 

"" "" "" "" "" "" "'' '' '' '' '' '' '' '' '' '' '' ' O posicionamento deles acaba sendo uma maneira de se diferenciarem dos trabalhadores que exercem atividades não bancárias ".

 

Alguns profissionais também são favoráveis ??aos correspondentes externos, menciona a pesquisadora da Unicamp. "Este tipo de atividades tira dos clientes do banco, diminuindo os arquivos e a quantidade de trabalho. Mas tem a questão da insegurança que estes correspondentes geram. Pelo que eu percebi nas entrevistas, os caixas se sentem bastante afetados por correspondentes bancários.

 

Eles enxergam, no futuro, a própria extinção dos seus cargos ", pondera.

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